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*LIVRO VENDIDO NO ESTADO.
O livro pode conter pequenas manchas em função da ação do tempo.
Não será permitida troca do livro, exceto em caso de defeitos gráficos.
Os
ensaios que compõem este livro tratam dos mais diversos assuntos: cinema, arte
moderna, sexo, linguagem, clinica analítica... O que esses temas têm em comum
que justifique um título genérico para todos?
A antropologia surreal pode ser definida como
um discurso que pretende dar conta das manifestações do engenho humano, exatamente
ali onde o inconsciente mete o bedelho, em alto e bom tom, para além do
sensato, do sensível e do sentido.
Contra
cultura ou contra natura? Pegue um e leve os dois. Quem petisca, sempre
arrisca.
Oscar
Cesarotto é psicanalista, e da para perceber isso em cada um dos seus
comentários. Mais, ainda: um analista singular, sempre atento às manifestações da
cultura. Não a cultura solene, cadaverizada, exclusiva dos âmbitos acadêmicos,
senão aquela outra, que irrompe todos Os dias, no café da manhã, desde as
páginas do jornal. Uma cultura viva, surpreendente, muitas vezes beirando o
absurdo, capaz de nos acordar dos torpores do cotidiano. Interessado em arte moderna,
seu olhar não é o do crítico ou do entendido, e muito menos o do amador. É,
antes de mais nada, o olhar da testemunha, de quem se espanta por tudo aquilo
que esgarça o semblante da sensatez. O exagero, o despropósito, o ridículo, ou
apenas o detalhe, como é o caso paradigmático da possível localização do zíper
das calças Lévi’s.
Tudo
isso faz dele um analista com humor. Sua inteligência não deixa escapar a
homofonia onde a marca dos jeans ecoa o nome do famoso etnólogo Lévi-Strauss. O
equivoco vira chiste, e o mal entendido é o rumo que escolhe para falar com
absoluta seriedade. Porque, mesmo não sendo um intelectual de terno e gravata,
tampouco duvida em usá-los, se for necessário.
Este
livro, que compila 18 artigos, e abarca uma extensão temporal de mais de vinte
anos, é também o caminho que acompanha a trilha de um desejo cuja picardia não
oculta o rigor de sua dedicação. Há, nestes traços de engenhosidade, nessas
observações apresentadas
quase aleatoriamente, bastante trabalho, muita leitura, suficiente esforço, e
uma certa abnegação.
Seria
Cesarotto um psicanalista irreverente? Ocorre que sua própria curiosidade faz
dele um analista ímpar, que não abre mão da criatividade nem renuncia à originalidade,
e isso o desestimula a ficar repetindo dogmas e jargões.
Seu
olhar jocoso, entretanto, atravessa as manifestações da realidade, e faz isso
com solvência: sexo, cinema, clínica, metapsicologia, morte... E assim Como
homenageia seu mentor e xará Oscar Masotta, não esquece dos seus amigos
perdidos, além de abordar questões grotescas, tanto estéticas quanto teóricas.
O melhor exemplo é o texto que trata daquele artista plástico que alucinou um
aparelho de ginástica para alongar o membro viril (60 cm?), trocando o gozo imaginário
da prestância fálica em detrimento do gozo real.
Cesarotto
encara a psicanálise Com a mesma desenvoltura com que encara a vida. Na leveza
que evidencia em relação ao superego, como deixar de reconhecer um verdadeiro
ensino magistral?
Mario Pujó
Autor(a) | Oscar Cesarotto |
Nº de páginas | 192 |
ISBN | 85-7321-110-5 |
Formato | 14x21cm |